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Deixa Falar - CARNAVAL 2010

quinta-feira, março 4th, 2010

GRÊMIO RECREATIVO CULTURAL E CARNAVALESCO “DEIXA FALAR”

Na revoada da passarada
voa, voa Deixa Falar
aqui, nesta aldeia encantada
Fala mais alto a Cultura do Para. (refrão)

Desfilando em poesia
outra vez Deixa Falar
balança a bandeira da arte
flor genuína do Para

No glamour do Theatro da Paz
neoclássicos divinais
mostra a plateia burguesa
gastando as riquezes dos nossos seringais

Traz das coxias o passarinho real
Papaegueno…. o nosso personagem principal

Entre o erudito e o popular
Cidade Velha da um grito de vitoria
Eh a gloria Deixa Falar, recriar….
a Flauta Magica de Mozart. (refrão)

opera, Boi-Bumba
reluz a cena num so destino
fazendo o povao interpretar
encanto dos passaros juninos

Vamos preparar o arraiah
pra bincadeira
quadrilha de São João
eu vou soltar balão…. pular fogueira

Depois admirar o passaro bailar
mesmo sem lugar pra pousar eh bom sonhar
e acordar no São Cristóvão Cultural
ninho de grandes estrelas
que brilham no meu carnaval.

Mera cópia… Ser imprensa no carnaval de Belém 2009, coisas que a Rede[aparelho]-: faz por você.

quarta-feira, março 4th, 2009

Há três anos que escuto o Arthur Leandro (um dos articuladores da
Rede[APR]-:) falar e cantar carnaval para a gente (articuladores da
Rede também),suas histórias, seus enredos, sua harmonia, suas cores,
dialogando conosco sobre suas experiências no Rio de janeiro, Icoaraci
e Belém do Pará. A partir dos relatos dele, fui percebendo que o
carnaval é muito mais do que a Rede Globo1, que pra mim não é rede,
mostra e, que por trás de tanta alegoria havia um contexto
artístico-social extremamente interessante, que merece mais atenção,
digo egoístamente, da minha parte, e digo absolutamente, de todo
mundo.

Dia desses depois de uma prova de três horas sobre as Mônadas2 do
Leibniz3,um aluno de filosofia da Universidade Federal do Pará,me
falou que não gostava do carnaval da capital do Pará, pois achava uma
mera cópia dos carnavais carioca e paulista. Eu pensei : - Esse cara,
não entendeu nada sobre as Mônadas… Estas são as substâncias
primeiras no mundo, são as únicas coisas que existem em si, e o
movimento delas é intrínseco, ou seja acontece dentro delas, é um
movimento dentro do imóvel, tá; mas o mais importante de entender
isso, é que depois de tanto blábláblá da Monadologia4, você percebe o
mundo como uma máquina orgânica , ou seja,dotada de alma, anima, e que
tudo faz parte de um todo vivo, que se movimenta mesmo que parado, e
que o espaço e tempo não passam de sucessão de situações do que
ocorrem no mundo, isto é, aqui e agora; logo, você me pergunta : - Mas
que diabos isso tem haver com a relação de cópia que teu amigo da
filosofia fez entre o carnaval de Belém e o do das grandes metrópoles
do Brasil? Então, tenho que responder:

Depois, de através da Rede[APR]-:, eu ter ido para a Aldeia cabana, a
avenida do samba de manga´s manga´s babilon city, não tive dúvidas que
o carnaval da cidade é bem igual ao do Rio e Sampa, digo
estruturalmente, na organização, mas estou partindo do pressuposto
Monástico,não sei se esta palavra existe, mas quero dizer das Mônadas,
ou pelo menos, do que eu disse sobre elas; onde, se temos uma
estrutura imóvel, pois ela é igual à de lá, temos também um movimento
original que ocorre dentro dela. O que eu senti correndo de um lado
para o outro, tirando fotos, fazendo filmagens com um celularzinho,
que tem uma ótima câmera diga-se de passagem, foi uma energia muito
cativante, emocionante mesmo; quando vi a Tradição Guamaense, inovando
na batida, misturando, samba de verdade com um tecnobrega de super
sucesso, entrei em êxtase. Claro, toda escola tem seu mérito, mas
digo sinceramente, que me apaixonei mesmo pelas menores, as que tinham
dois carrinhos alegóricos, cheios de sucatas. E a Quem são Eles, que
depois de horas esperando um carro quebrado do Rancho, sair da
avenida, entrou as 8 horas da manhã, com todos os seus foliões
chorando e a bateria gritando, que me deixou toda arrepiada? Sabe por
quê? Por que o movimento ali é intrinsecamente vivo, cheio de energia.
Envolve muita gente, desde dono da escola, até os que empurram os
carros, os que limpam a avenida aos que montam as fantasias; quando a
escola passa, tem muita criança ali, que mesmo morrendo de sono,
agüenta o tranco, pois é emoção, é o afeto pela história que estão
construindo juntos, todos juntos, pensando, cantando, costurando ,
gritando e sambando. Entendem? Construção de uma história deles, por
Eles mesmos? Digo até nossa, pois eu estava lá, correndo toda
serelepe, com uma câmera na mão, a câmera do possível, fazendo a mídia
para eles.

Portando eu pergunto agora : - qual é o problema deste nosso carnaval
ser uma mera cópia? o que de fato não é realmente; mas qual o
problema? Se o movimento causado por esta “cópia” é altamente
producente? tenho certeza que este amigo , quase filósofo, não tem
nenhum filho marginal, que nos dias de carnaval prefere pegar o
tamborim a ter que pegar uma arma para assaltar. E afinal, copiamos
coisas muitos piores da grande mídia, que nos vende do Rio de janeiro
e de São Paulo seu lixo industrial todo dia, e nós nem reclamamos,
achamos “normal”, comum. Penso que a função social do carnaval é
distribuir carnavalescos, assim como a da filosofia distribuir
filósofos. E quanto mais gente tiver a oportunidade que alguns poucos
tem de pensar, falar, mostrar-se, menos indigno este Brasil se torna.

Bruna Suelen
[Aparelhada]-:, quase-filósofa, não artísta que não é da imprenssa.

Bruna Suelen [ ]-: